No início, o Choro era apenas difundido entre grupos de instrumentistas que aos sábados e domingos se reuniam na casa de um deles para fazer música. Foi a partir de 1880 que se popularizou nos salões de dança e no subúrbio carioca.
| Grupo de choro do início do século XX. VASCONCELOS, Ary. Panorama da Música Popular Brasileira na Belle Époque. Rio de Janeiro: Liv Sant’Anna, 1977 |
Mas o choro se afirma efetivamente como tal a partir do estilo peculiar desenvolvido pelo flautista Joaquim Calado (1848-1880) e em torno de seu conjunto “O choro de Calado”, que incorpora diferentes influências como a polca e outras danças de salão importadas da Europa como a valsa, a modinha, o xote e o minueto; sendo esses todos aqui mesclados ao lundú, um ritmo vindo de Angola. O Chorinho convive com esse paradoxo de ter se tornado um estilo extremamente popular, a despeito de requerer uma grande tecnicidade. Ele deixa um espaço importante para a improvisação e suas variações, o que lhe confere o título de "jazz brasileiro". Uma denominação errônea, uma vez que o choro surgiu bem antes desse gênero americano. Com o tempo, sua forma cantada vem a auxiliar, em parte, a sua divulgação.
Quando Joaquim Callado compôs “Flor Amorosa”(video abaixo com uma das mais belas interpretações - Altamiro Carrilho), por volta de 1870, e o classificou como choro, nasceu a música popular brasileira. Muito se estudou sobre os anos que se seguiram, muito se escreveu sobre os gêneros populares que surgiram a partir daí, mas pouco se pesquisou sobre o que antecedeu o nascimento da nossa música popular. Os documentos e estudos anteriores a esta data são escassos e a raiz negra da música brasileira era vista com extremo preconceito por parte da elite branca “civilizada” – cabe destacar que, quando Joaquim Callado criou a melodia brejeira do seminal choro, vivíamos, ainda, sob a égide da escravidão.
Mas o que havia antes disso?
O livro, de Alexandre Gonçalves Pinto, apelidado de Animal, retratou o perfil de cerca de trezentos chorões antigos, do Segundo Império e Primeira República. O autor retratou o momento em que o choro ainda era um estilo de tocar as músicas européias como valsa, mazurca, quadrilha, schottisch, polca e as músicas nacionais como tango brasileiro, maxixe, modinha e lundu. Alguns dos grandes músicos dessa época foram o flautista Patápio Silva, os violonistas João Pernambuco e Sátiro Bilhar, para só citar alguns.
| PINTO, Alexandre Gonçalves Pinto. O Choro. Rio de Janeiro: FUNARTE, 2009. capa |
| PINTO, Alexandre Gonçalves Pinto. O Choro. Rio de Janeiro: FUNARTE, 2009. p.1. |
No início, era apenas um grupo de instrumentistas que aos sábados e domingos se reuniam na casa de um deles para fazer música. Foi a partir de 1880 que o choro popularizou-se nos salões de dança e no subúrbio carioca. Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga foram os primeiros compositores que deram características próprias firmando-o como gênero musical.
| Ernesto Nazareth |
| Chiquinha Gonzaga |
No início do século XX começou a ser cantado, deixando de ser apenas instrumental. Aproxima-se do maxixe e do samba e adquiriu um rítmo mais rápido, agitado e alegre. Nesta mesma época surge o chorinho ou samba-choro, também conhecido como terno, por causa da delicadeza e sutileza de sua melodia.
Na década de 30, com o apoio do rádio e com investimento das gravadoras de disco, tornou-se sucesso nacional. Uma nova geração de chorões organizaram-se em conjuntos chamados regionais e introduziram a percussão nas composições. Alfredo da Rocha Vianna Filho, Pixinguinha, foi o principal nome do período, autor de mais de uma centena de choros e um dos maiores compositores da música popular brasileira. . Sua importância foi tamanha que o Dia Nacional do Choro foi estabelecido em 23 de abril, data de seu aniversário. Tal homenagem foi proposta pelo senador Artur da Távola e aprovada pelo Presidente da República em 4 de setembro de 2000.
Na década de 50, o estilo musical perdeu seu espaço devido ao surgimento da Bossa Nova, mas manteve-se presente na produção de vários músicos da MPB. Foi redescoberto na década de 70, quando criaram os Clubes do Choro, que revelam novos conjuntos de todo o país e os festivais nacionais.
Atualmente o Choro ainda é prestigiado por muitos, é fortalecido por grupos que se dedicam à sua modernização e divulgação de novos artistas.
Cronologia do Choro
1808 - Familia Real chega ao Brasil com muitos músicos, instumentos, ritmos e festas.
1845 - A polca, dança européia, fez sua introdução no Rio de Janeiro
1848 – D. Pedro II criou o Conservatório de Música no Rio de Janeiro.
1870 – Em aproximadamente 1870 nasceu o choro no Rio de Janeiro.
1845 - A polca, dança européia, fez sua introdução no Rio de Janeiro
1848 – D. Pedro II criou o Conservatório de Música no Rio de Janeiro.
1870 – Em aproximadamente 1870 nasceu o choro no Rio de Janeiro.
1872 – Lançamento do primeiro tango brasileiro “Ali-Babá”, de Henrique Alves de Mesquita.
1877 – Chiquinha Gonzaga criou sua primeira música a ser editada, "Atraente". (VÍDEO)
1883- Foi grafada na imprensa a palavra maxixe.
1893 - Ernesto Nazareth editou o tango 1845 - A polca, dança européia, fez sua introdução no Rio de Janeiro
1896 – Foi criada a Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro pelo maestro Anacleto de Medeiros.
1907- Foi criado o rancho “Ameno Resedá”.
1919 - Sob a liderança de Pixinguinha foi criado o conjunto “Oito Batutas”.
1928- Primeira gravação de “Carinhoso” de Pixinguinha.
Anos 1930 – Começaram os regionais do rádio. (VÍDEO)
1933- Primeira apresentação amadorística de Jacob do Bandolim.
1936- Foi lançada a primeira edição de “O Choro-Reminiscência dos Chorões Antigos”.
1946 – Nasceu a famosa dupla entre Pixinguinha e Benedito Lacerda.
1949 – Waldir Azevedo gravou o choro “Brasileirinho”.
1954 e 1956 - I e II Festivais da Velha Guarda.
Anos 1960 - Jacob do Bandolim e o grupo Época de Ouro começam a tocar juntos.
Anos 1970 – Foi a década do renascimento do choro para as grandes platéias.
1973 - Estreou o show "Sarau" no Teatro da Lagoa.
1975 - O bar “Sovaco de Cobra” foi ponto de encontro de músicos do choro.
1976 - Surgiu o grupo "Os Carioquinhas".
1977 a 1980 - Concursos de Conjuntos de Choro e Festival Nacional do Choro.
1979 - Surgiu o grupo "Camerata Carioca".
1984 – Prefeitura patrocinou oficinas de choro.
1985 – A "Estácio de Sá" homenagiou o choro no carnaval.
1987 - Surgiu "O Trio"/ Formou-se o grupo "Joel e o Sexteto"/ Uma nova oficina de choro foi criada na Escola Brasileira de Música.
1988 – Orquestra Pixinguinha.
1993 e 1994 - Foi formado o conjunto “Rabo de Lagartixa”/ O "Água de Moringa" lançou seu primeiro disco.
1995 – Lançamento do 1° disco solo de Zé da Velha/ Lançamento da revista "Roda de Choro"/ Morreu aos 33 anos o violonista Raphael Rabello.
1996 - Realizado o festival Chorando Alto.
1997 - O “Conjunto Sarau” inaugurou uma série de shows no Humaitá/ O Quarteto "Maogani" grava seu primeiro disco/ São formados os grupos “Trio Madeira Brasil” e "Pagode Jazz Sardinha’s Club".
1998 - Surgiu a Acari Records, a primeira gravadora exclusiva de choro/ Henrique Cazes lançou o livro "Choro: do quintal ao Municipal".
2000 – Foi fundada a Escola Portátil de Música/ O grupo “Choro na Feira” fez de uma feira o seu palco. (VÍDEO - ENTREVISTA COM MAURÍCIO CARRILHO)
2001 – É inaugurada a gravadora Biscoito Fino/ Organizado o Festival "Chorando no Rio"/ Organizada a exposição: "Choro: do quintal ao Municipal"/ Foi instituído o Dia Nacional do Choro
2002 - Foi fundado o Instituto Jacob do Bandolim/ O Conjunto Sarau gravou o disco “Cordas Novas”.
2004 - Formado o grupo “Tira Poeira”.
2005 - Lançamento do documentário “Brasileirinho”.
2007 – 1° encontro musical de Hamilton de Holanda e Yamandú Costa.
2010 e 2011 - Surgiu o grupo "Pixin Bodega"/ O quarteto Radamés Gnattali lançou o álbum "As quatro estações cariocas".
Fontes:
www.jbonline.com.br
www.sambossa.com.br
Tropicalia site 2014 - http://www.tropicalia.be/pt/2011/04/No_programa_deste_23_de_abril__Sao_Jorge_e_o_Chorinho_/68/#sthash.y9aBz0Wd.dpuf
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